terça-feira, 15 de janeiro de 2013

...

No tombo, você me perguntou se eu já amei alguém.
E eu só soube responder: eu não sei.
Me causei estranhamento.
Eu sempre respondi que sim.
Ao menos, nos últimos anos...
Mas você me tira todas as certezas.
Me tira os tabus, as roupas.
Te tiro as roupas, as cartas.
As roupas da gente no chão.
No chão, a gente, no tombo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

N'um novo tempo - II


Deixemos nossos gatos soltos e as portas abertas. É o começo de uma nova era. O céu é bem azul, como costumava ser antes de estarmos distantes, movidos por fatos corriqueiros e sem importância.
As janelas cerradas não nos guardam mais do nosso presente divino.
Os sinos batem no horário certo, que é quando devemos estar orando, não nas igrejas, mas em nossas próprias casas.
Um futuro cheio de boas promessas começa agora.
Não estamos mais nos deixando pesar em vão.
Voltamos a ser semente, e nossos frutos serão bençãos soltas e leves ao ar celestial.
Não tememos o fim, nem o meio, nem o início. Estamos abertos a novas e grandes possibilidades, e aceitamos aquilo que nos vem com muito esmero, sem cobiçar os talentos alheios, sabendo assim que nada é menor ou maior, e que tudo está no lugar certo, escolhido pelas mãos perfeitas do criador.
Honramos nossos corpos, nossas mentes e espíritos, e gozamos de nossa liberdade com prazer provido apenas do amor.
Soltamos nossas correntes desnecessárias, e nos ajudamos diariamente, como num sonho bom, que não nos incita a acordar.

N'um novo tempo - I

Eis que os tempos se aproximam de sua reta final. E não se revelam apenas fora das janelas, mas por dentro do caráter real de cada ser. As pessoas voltarão a se banhar em águas claras e límpidas. Os pássaros voltarão a espalhar a velha cantiga das nobres manhãs. Telepatia. Tudo está voltando ao seu eixo, depois de uma longa batalha pela ressurreição. Nós vencemos. Estamos no topo e, se não enlouquecermos por essa bela vista que Deus nos proporcionará de agora em diante, então estaremos livres para uma nova eternidade de conhecimento. Interligados. Estamos sabendo mais do que nunca, temos estado em contato com notificações de tudo o que nos acontecerá, em nossos sonhos, quando os chamados 'dejá vus' nunca foram tão intensos e de extrema importância. Caminhemos então, em direção a esse mar de ventos fortes. Deixemos nossas âncoras para trás. Não pertencemos mais a lugar algum, senão aquele que sempre guardamos dentro de nós mesmos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

I'M STILL HERE (LETRA DE MÚSICA)


Oh wait!
Nothing's gonna stop me in this game
That life plays around me
I'm still here
You can't push me down
And all I see
Makes me stronger now
I did believe I had lost my mind
But now I'll dance again all right
And now I'm just laughing at your face
Cause I can go on... Baby!
I'm moving to shake it up
I'm holding my glory
I'm listening the second sign
And I'm not gonna ignore it
I'm doing it on my way
There's nothing to lose or pay
There's no pain feelings in vain
I'm gonna write good my story.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Festeira (letra de música)

Conta um pouco de você
Leva pra criançada
Um doce de limão
Um jogo e um balão
Camarada tem que ter
No bolso bom da calça
Moeda e um pião
Entrega a diversão
E me encontra no fim do salão
No mais, logo atrás do balcão do João

Olha, eu não sou moça de levar em qualquer prosa
Mas você me trouxe uma rosa tão cheirosa
Vem, senta aqui, hoje a noite é um brinquedo
Beije minha mão, me acarinhe o cabelo
Depois me eleve ao ar, me carregue a dançar...

Minha festa é pra você
Que me alegra a alma
Me enche de paixão
Me gira no salão
Companheiro, é bom trazer
Garapa e uma cocada
Ou doce de melão
Pra me surpreender
E depois me tocar uma canção
Pode até ser samba, bossa ou baião

Olha, a molecada tá com sono e já vai embora
Fica mais um pouco, me abraça sem demora
Eu quero ser o seu par, festejar, festejar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

N'outro lugar

E então eu tive esse sonho-viagem. Foi hoje. Quem me conhece sabe de que tipo de sonho eu estou falando, e de como é raro me lembrar. E ainda de como eu fico feliz quando tenho essa possibilidade.
Estávamos tendo oportunidade maravilhosa de assistir palestras de inigualável conteúdo. Palestras avançadas, treinamentos de como doutrinar n'outro lugar, levando mais arte, mais vida.
Era um prédio imenso, com largos e brancos corredores. Tinham dormitórios também, mas eu em minha enorme inocência (ou memória limitada) demorei para notar que ninguém tinha cama definida, e que só deveríamos nos deitar para "dormir" quando fosse a hora de acordar.
Tinha tanta, mas tanta gente ali, e a novidade desta vez, foi que pude avistar muita gente conhecida, e até trocar alguma palavra.
Era corrido. Logicamente mais corrido do que aqui. Em cada minuto estávamos absorvendo coisas novas. Mas ninguém se cansava, parecia ser um evento muito importante e esperado por todos que estavam presentes. Uma das últimas coisas que me lembro de ter visto foi uma sala de pintura. Ficava meio escondida, numa porta quase que imperceptível. Cada um estava lá para aprender uma coisa diferente, e por uma razão diferente, trazendo-a para cá conscientemente ou não.
Só posso dizer que em minha memória, foi belo por demais! Fico feliz em tê-los reconhecido. Não me lembro de todos, mas pode ser que eu vá me lembrando no decorrer do dia, ou da semana, ou do mês...
Não sei como está cada um, e tampouco sei de quem acredita... Mas estamos fortes, estamos bem. Isso é algo que eu escolheria todo dia: "lembrar...".

segunda-feira, 16 de julho de 2012

(Que assim) Seja, como foi - Um conto de Orações MaLditas

Colocou as palavras na minha boca como quem possui o inenarrável dom de inventar histórias secretas. E ainda foi mais além: colocou também palavras de ódio em meus ouvidos, sobre outros, e sobre mim nos ouvidos dos outros. Não sei do que devo ousar nomeá-la e jamais teria o desprazer de chamá-la novamente. De tudo o que se faz serpente, o pior dos venenos. De tudo o que se faz de gente, o perigo amigo - confidente, e sem uma lágrima sequer de verdade. Sabe chorar como uma criança, em horas de convencimento. Todavia, em suas horas de baixaria estampada no ato, se torna arredia e cruel. Farsante. Gritaria. Ânsia de vômito. Atravesso a rua. Ânsia de vômito. Faço por mim. E se fosse você? E se tentasse deixá-la e aquilo pudesse matá-la, não esperaria mais um dia? Pelo futuro da culpa?
Aos prantos, me pedia que ligasse. "Me liga, eu não estou bem, sou capaz de uma loucura. Não sei se chego lá", ou pior: "Não sei o que minha mãe pode fazer comigo se descobrir que cheirei cocaína, vai me internar numa clínica como a do Bicho de sete cabeças...". E então você liga, de medo. Liga no meio de uma janta, e no meio do seu programa favorito, e até no meio do seu banho. Porque ela te cerca de pressentimentos ruins. Ninguém atende. Ninguém atende. Aconteceu. Só pode ter acontecido, o pior. Ela te disse, te avisou. Ninguém atende. O mal é real e está feito. A culpa é sua, ela te avisou. Ela o fez. Alguém o fez. Suicídio. Intencional, acidente. Está feito, ninguém atende. Ânsia de vômito. Ela deveria ter chegado há quase três horas. Vigésima nona ligação.
- Alô?
- Você está bem?Por que não atendeu? Pensei que...
- Por que você não para de me ligar?- (Lágrimas) - Eu não te aguento mais!!! Você está me sufocando... - (Lágrimas)
- Mas você disse...
- Chega. Me dê um tempo. Chega, por favor. - (Público)
- Eu juro que não entendo!
Desligo. Faço as malas. Tremo. Não era eu quem deveria estar chorando? Nojo. Mentira bem ao meio de outras duas mentiras. Talvez um daqueles amigos tortos a estivesse influenciando. Deveria ser isso. Ela era outra pessoa quando saiu. Dizia outras coisas. Eu não entendo!
Arrasto as malas com certa dificuldade e então, como quem se multiplica ou se locomove loucamente, ela está em minha frente, bloqueando minha passagem. Minha passagem. Meu caminho para casa. Minha vida. Chantagem. Pena, piedade, chantagem. Suicídio. Faca de cozinha, janela, gritos. Deixo minhas coisas e levo apenas a mim mesma. Ligações. Ligações por todo o caminho. Por toda a madrugada e manhã do dia seguinte. "Volta.", "Não vai voltar???", "Você não sabe o que está fazendo!", "Eu não sei porque disse aquelas coisas, estava atordoada, nunca quis que você fosse embora...", "Amor? Amor???"... Não sou seu amor. Nunca fui. Nunca serei. Ânsia de vômito. Quero minhas coisas. O melhor de mim em lembranças. "Venha buscar", chantagem. "Venha buscar". Me devolva minhas coisas!!! "Eu amo você". Me deixe ir embora. Quero ir embora.
- Me deixe ir embora. Quero ir embora! - (Público)
Eco?
- Mas isso é o que eu mais quero!
- Você quer me matar? - (Lágrimas, chantagem, gritos, público) 
- Me devolva minhas coisas! - (Testemunha)
- Você não pode esperar mais um dia? Vê, ela não pode esperar um dia! - diz, ao público. 
Testemunha confusa.
- Mais um dia? Mais? Chega!
- Chega!
Eco. 
Eco.
Sou eu na outra boca. Meus desejos em uma boca imunda e mentirosa. 
Silenciosa. Nada fala por si. Persuasiva? Psicopatia? Dúvida. Ânsia de vômito. 
- Não se aproxime enquanto eu estiver falando com a Fulana. Ela tem coisas para me contar, e não quer que você esteja por perto.
- Poxa, mas eu conheço a fulana de vista há um bom tempo, e isso nunca aconteceu antes. Muitas vezes estive sentada nas mesmas rodas, e ela nunca me pediu distância dessa forma. Imagino que seja algo grave. 
- Ela não quer você por perto, entendeu? Ela não quer! Respeite!
Mentira.
E toma outra.
Mentira.
E mais uma.
- Então, a Fulana me disse que você mentiu. Ela nunca foi sua amiga, nunca te contou segredo nenhum.- me diz.
- O que? Realmente, ela nunca foi minha amiga e nunca me contou segredo nenhum. Eu nunca disse isso!
- Vê? Vê como é louca? Agora você está me dizendo outra coisa!
- Louca, eu? Você é que está inventando um milhão de coisas e acreditando no que diz! Você precisa urgente de um psiquiatra!!!
Ânsia de vômito. 
Talvez tudo fosse mentira. Tudo, e não apenas uma boa parte. E eu não deveria ter dado uma chance. Ou duas. Jamais. Eu aliás, não deveria sequer ter pensado na possibilidade de revê-la, depois que a vi pela primeira vez. Mas existem coisas que nos servem para acreditar, ou desacreditar, mas acima de tudo, para nos acrescentar sabedoria. 
Eu peguei as minhas coisas. E deixei o melhor de mim. E rezei. Abençoei tudo que tenha ficado de horrendo em minhas lembranças, e deixei apenas um pedido: Não cruze mais meu caminho.
E um dia encontrei outra Fulana, que costumava dizer-se semeadora de luz e alegria, e num largo e rico Bom dia, recebi de volta o olhar de desdém mais pobre e podre que eu poderia receber daquele alguém. 
Mas não faz mal. Não sinto mais ânsia de vômito. Não sinto mais nada que diga respeito aos Fulanos e Fulanas que cercam e regam uma planta murcha e morta, que outrora chamei de minha, jurando que era flor.